segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Avenida da Liberdade

A vossa sempre atenta costureira da Brandoa já reparou que os blogues de Moda estão a nascer como cogumelos à chuva. Eu não me importo nada. Acho excelente até! Gosto de companhia nesta cruzada de mostrar o gosto das pessoas que andam na rua. E Lisboa pode gabar-se de ter das pessoas mais bem vestidas do mundo! Já vos tenho mostrado aqui algumas, mas hoje fui pescar uma foto tirada pelo blogue Fashion-à-Porter  (féchon à pórtê, em português). A minha colega bloguer Pépa tem o condão de descobrir pessoas que eu já não vejo há algum tempo. Vejam as fotos e tirem as vossas conclusões. Adoro os padrões animais, as línguas de fora, os calções, as pernas peludas, os cartões pendurados ao pescoço, as fotos tiradas na primeira fila da Moda Lisboa, as poses no Terreiro do Paço, enfim... ADORO o blogue da Pépa! E como homenagem escolhi a foto que vêem abaixo.


Não sei onde a Pépa descobriu esta menina, com toda a pose uma mulher estátua num domingo aborrecido na Avenida da Liberdade. Aliás, creio que aparte do penteado, o que mais adoro é o braço direito em riste a segurar aquela bolsa: decerto cheia de lenços, estojos de manicure, escovas de cabelo, agendas, revistas Nova Gente, sacos de plástico para não ter de os pagar no Minipreço, enfim... tudo aquilo que anda na bolsa de uma mulher sofisticada. O braço em riste é mesmo uma metáfora da força da mulher moderna, que segura estoicamente a sua bolsa. Não importa se o cabelo foi cortado em casa ou os ténis chamam mais a atenção que um OVNI no céu: a bolsa está segura!! O pulso está ligeiramente distendido, a mão fechada segura um molho de chaves. De repente lembro-me da Luísa da Calçada de Carriche do António Gedeão. Tal como Luísa, a mulher portuguesa moderna é uma guerreira... mas cheia de estilo. E vai em conquista da Avenida da Liberdade! 
Parabéns Pépa pela foto magnífica! Melhor era mesmo impossível!

domingo, 11 de março de 2012

Moda Lisboa


Julgavam que esta vossa blogger não ia estar presente na Moda Lisboa? Era só o que faltava!! Na verdade não estive mesmo presente e enviei uma amiga minha porque tive outros afazeres: fui a um casamento! 

Vou mostrar-vos tudo não tarda nada mas para já fiquem com um cheirinho do que se passou na Moda Lisboa, onde esteva presente uma vizinha minha que faz rissóis e croquetes para fora. Foi uma sorte ela ter podido ir no meu lugar e ter aprendido a mexer na máquina fotográfica à última da hora!! Felizmente tudo correu bem! Um muito obrigado à Gracinda (na foto em cima) e até breve!! 

PS: Não acham que é tempo de haver uma Moda Brandoa??

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Lisboa: ano da graça de 2012


Aposto que já tinham saudades deste último reduto da moda em Portugal. Estamos em 2012 e a verdade é que senti necessidade de voltar a escrever-vos pois é nas alturas de crise que a moda fica mais criativa. Lisboa é muito mais do que uma cidade fashion. Lisboa é A CIDADE FASHION da Europa em crise. Os senhores do FMI bem podem estar loucos por voltar a Lisboa porque não encontram gente como esta em Dublin e Atenas. Já vos mostrei aqui alguns modelos da Europa Central e puderam ver que Lisboa os bate aos pontos. Hoje deixo-vos mais um exemplo.

Eu sou suburbana mas quando venho à cidade é de transportes que ando. O suburbano que se preze viria com o Clio branco, com um boneco pendurado no espelho retrovisor e um autocolante a dizer "Bebé a bordo" no vidro de trás. Nunca entendi que diferença faz levar um bebé no carro: as pessoas conduzem mal que se fartam e esta vossa costureira não suporta trânsito. De modo que ando de transportes e a Rodoviária de Lisboa, a Vimeca, a Carris e o Metro podem bem aumentar os preços que terão sempre em mim uma utente fiel. 

Foi no metro que encontrei Custódia e, pouco depois, Ana Rute. Eu estava sossegada a ler a revista Vidas quando Custódia entrou na carruagem e se sentou à minha frente. Pude ver que tinha acabado de voltar do cabeleireiro e usava um penteado de fazer inveja às actrizes de Hollywood. O casaco cor de rosa era simplesmente o máximo e não resisti a meter conversa. Custódia contou-me que é leitora do meu blogue e que é uma honra surgir numa foto, mesmo que a partilhe com Ana Rute.

Ana Rute era a alegria da carruagem. Ela e o seu blusão preto com um escorpião estampado nas costas. Estava impaciente. Quando as portas demoravam mais uns segundos a fechar, Ana Rute dizia "F**** já tenho de ir a correr!!". Mas logo esquecia a demora do metro. Os seus auscultadores levavam-lhe a alegria aos ouvidos. Ana Rute quis partilhar a canção com os outros passageiros e assim, atrás de Custódia, presenteou-nos com um pouco do "Papel Principal" de Adelaide Ferreira. 

Não pude resistir a incluir Ana Rute e Custódia na mesma foto. Infelizmente, nenhuma Vogue nem L'Officiel tem modelos como as minhas. Elas não andam armadas em modelos no meio da rua à espera de serem engatadas por um fulano que tira fotografias. Elas são modelos a sério e passeiam com orgulho o seu estilo inimitável. O que outras têm de plástico e pindérico, têm estas modelos de genuíno e avassalador. Ana Rute largou a correr porta fora antes de eu puder saber o que fazia. Custódia está de baixa por causa da operação à vesícula. Portugal chegou a 2012 sem um tostão furado no bolso. Mas pode contar com A Costureira da Brandoa para mostrar o que tem de autêntico!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A força de uma mulher

Sónia é boxista, mas num país ingrato como Portugal, é obrigada também a ser caixa do Minipreço da Brandoa e copista num estabelecimento de diversão nocturna em Monte Abraão. Mas Sónia é uma lutadora. No ringue e na vida. Tudo começou na escola, quando Sónia aprendeu a defender-se dos ataques dos seus colegas invejosos do seu fato-de-treino cor de rosa da Hello Kitty comprado na Feira do Relógio pela madrinha, ou mortificados pelo cheiro a naftalina da roupa de Sónia.

Ela aprendeu cedo que a vida é difícil e pouco depois de terminar o nono ano já estava na labuta. A mãe arranjou-lhe um emprego numa loja do LiDL em Algueirão, mas foi numa loja do Minipreço na Brandoa que a conheci. Sónia contou-me sobre a sua paixão pelo boxe, os sacrifícios que fazia, esta sua dedicação sempre ocultada à família, o título no Campeonato de Boxe de Ramada, a ambição na conquista do Campeonato de Boxe de Caneças...

Sónia personifica todas jovens que lutam pelos seus sonhos. Sónia sonhou ser cabeleireira e abrir um Salão em Odivelas. Mas a vida é madrasta e a única coisa que Sónia garante é que o título de campeã em Caneças será seu, mesmo que o combate contra Cidália Patrícia lhe custe mais 2 incisivos. "A vida é para ser conquistada", isto disse-me Sónia ao passar dois pacotes de bolachas Maria ao mesmo tempo que me devolvia o meu cartão do Minipreço.

terça-feira, 29 de março de 2011

Um jantar de gala

Camilla e Maria não são velhas amigas apenas porque não calhou. Tivesse Camilla um terceiro andar na Travessa do Possolo e ambas seriam unha com carne. Maria trocaria de bom grado as receitas de souflé de peixe e de rissóis de camarão pelas deliciosas apple pies de Camilla. Ambas sabem o que é a vida de casada, ambas prestam o maior apoio aos seus maridos. Maria certifica-se que o marido não diz disparates a mais, Camilla zela por que Carlos não se torne ainda mais ridículo. Camilla nunca será rainha da mesma maneira que Maria nunca será uma primeira dama. Na realidade, Maria e o marido são um casal de velhotes a puxar para o antipático que aparece muitas vezes na televisão em Feiras de Enchidos, Jantares de Sem Abrigo e Inaugurações de Centros do Desconhecido. Maria e o marido são inseparáveis. Tanto que ela adquiriu a alcunha carinhosa de "Cavaca". Camilla e Carlos também são inseparáveis. Nem o casamento - o casamento de Camilla com outro homem e o de Carlos com outra mulher, sublinhe-se - os conseguiu separar. Camilla é a esperança de todos os mortais. Neste conto de fadas foi a princesa que morreu e a bruxa que ficou com o príncipe. A Costureira adora finais felizes. Camilla também. E Maria nem se fala. O vestido de Camilla foi comprado em Londres e o de Maria foi feito com uns cortinados antigos. Elas sabem estar sempre impecáveis. Este país ainda é para velhos.

domingo, 13 de março de 2011

Suzanne

Suzanne Pujol é talvez a figura a partir da qual A Costureira da Brandoa começou a nascer. Sim, A Costureira da Brandoa não nasceu num restaurante do Bairro Alto, durante um jantar de amigos, e muito menos num almoço na Praia do Meco, com dourada escalada acompanhada de batatinhas assadas. A Costureira da Brandoa começou a nascer em Suzanne Pujol e no seu fato-de-treino vermelho. E ficou assim, em banho-maria, meses a fio.

E depois, claro, há o dia D, o dia em que o fato-de-treino de Suzanne vem de novo à memória. Foi numa esplanada do Estoril (um local suburbano muito ao jeito da Costureira) que durante um café matinal surgiu, ao folhear um jornal gratuito, uma coluna de moda. A Costureira é suburbana a valer e ficou roxa com tanta injustiça: "nem toda a gente fashionable aparece aqui nestas bodegas", pensou a Costureira com os seus botões (por ela obviamente cosidos). E no dia seguinte, foi na Praça Camões que a ideia de colmatar esta falha foi ultimada. Faltava um nome, contudo. Modista? Costureira? A Brandoa bateu Massamá aos pontos. E no dia 9 de Março de 2011 nasce A Costureira da Brandoa. E que fulgurante é este blogue, com actualizações diárias!

Esta é a homenagem da Costureira a Suzanne Pujol, ao seu fato-de-treino vermelho, e a toda a moda dos subúrbios que finalmente tem um palco para ser mostrada.

sábado, 12 de março de 2011

A preto e branco

O preto e branco nunca passa de moda e Adílio sabe-o muito bem. Veste-se de negro por tradição, muito antes de os grandes costureiros imporem a cor como a nova tendência da década. Adílio é um vanguardista no vestir. O penteado e o bigode são a sua imagem de marca: a sua tez morena realça a brancura de Neoblanc de um bigode de 40 anos.

Adílio já não faz feiras como antigamente. "Cansei-me disso", conta fitando o Douro. Agora dá apenas uma mãozinha a quem precisa. Sempre prezou a família acima de tudo: Cátia Vanessa será a sua nona neta. Por vezes gosta de recordar os tempos de feirante, a correria que era todos os dias, Matosinhos, Maia, Gondomar, Valongo, Vila Nova de Gaia... Feiras e mais feiras!! Tantas saudades!! Mas Adílio deu lugar à novas. A sua filha Carmelinda tem olho para aquilo e isso admite o pai orgulhoso dos ensinamentos que lhe deu.

Adílio olha uma vez mais o Douro. O negro do traje é invejado por todos os que comem gelados na Ribeira. O bigode de Adílio é invejado por muitos mais. Até Clark Gable ficaria corado ao lado de Adílio: um bigode de 40 anos impõe muito respeito!