Domingo, 11 de Março de 2012

Moda Lisboa


Julgavam que esta vossa blogger não ia estar presente na Moda Lisboa? Era só o que faltava!! Na verdade não estive mesmo presente e enviei uma amiga minha porque tive outros afazeres: fui a um casamento! 

Vou mostrar-vos tudo não tarda nada mas para já fiquem com um cheirinho do que se passou na Moda Lisboa, onde esteva presente uma vizinha minha que faz rissóis e croquetes para fora. Foi uma sorte ela ter podido ir no meu lugar e ter aprendido a mexer na máquina fotográfica à última da hora!! Felizmente tudo correu bem! Um muito obrigado à Gracinda (na foto em cima) e até breve!! 

PS: Não acham que é tempo de haver uma Moda Brandoa??

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

Lisboa: ano da graça de 2012


Aposto que já tinham saudades deste último reduto da moda em Portugal. Estamos em 2012 e a verdade é que senti necessidade de voltar a escrever-vos pois é nas alturas de crise que a moda fica mais criativa. Lisboa é muito mais do que uma cidade fashion. Lisboa é A CIDADE FASHION da Europa em crise. Os senhores do FMI bem podem estar loucos por voltar a Lisboa porque não encontram gente como esta em Dublin e Atenas. Já vos mostrei aqui alguns modelos da Europa Central e puderam ver que Lisboa os bate aos pontos. Hoje deixo-vos mais um exemplo.

Eu sou suburbana mas quando venho à cidade é de transportes que ando. O suburbano que se preze viria com o Clio branco, com um boneco pendurado no espelho retrovisor e um autocolante a dizer "Bebé a bordo" no vidro de trás. Nunca entendi que diferença faz levar um bebé no carro: as pessoas conduzem mal que se fartam e esta vossa costureira não suporta trânsito. De modo que ando de transportes e a Rodoviária de Lisboa, a Vimeca, a Carris e o Metro podem bem aumentar os preços que terão sempre em mim uma utente fiel. 

Foi no metro que encontrei Custódia e, pouco depois, Ana Rute. Eu estava sossegada a ler a revista Vidas quando Custódia entrou na carruagem e se sentou à minha frente. Pude ver que tinha acabado de voltar do cabeleireiro e usava um penteado de fazer inveja às actrizes de Hollywood. O casaco cor de rosa era simplesmente o máximo e não resisti a meter conversa. Custódia contou-me que é leitora do meu blogue e que é uma honra surgir numa foto, mesmo que a partilhe com Ana Rute.

Ana Rute era a alegria da carruagem. Ela e o seu blusão preto com um escorpião estampado nas costas. Estava impaciente. Quando as portas demoravam mais uns segundos a fechar, Ana Rute dizia "F**** já tenho de ir a correr!!". Mas logo esquecia a demora do metro. Os seus auscultadores levavam-lhe a alegria aos ouvidos. Ana Rute quis partilhar a canção com os outros passageiros e assim, atrás de Custódia, presenteou-nos com um pouco do "Papel Principal" de Adelaide Ferreira. 

Não pude resistir a incluir Ana Rute e Custódia na mesma foto. Infelizmente, nenhuma Vogue nem L'Officiel tem modelos como as minhas. Elas não andam armadas em modelos no meio da rua à espera de serem engatadas por um fulano que tira fotografias. Elas são modelos a sério e passeiam com orgulho o seu estilo inimitável. O que outras têm de plástico e pindérico, têm estas modelos de genuíno e avassalador. Ana Rute largou a correr porta fora antes de eu puder saber o que fazia. Custódia está de baixa por causa da operação à vesícula. Portugal chegou a 2012 sem um tostão furado no bolso. Mas pode contar com A Costureira da Brandoa para mostrar o que tem de autêntico!

Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

A força de uma mulher

Sónia é boxista, mas num país ingrato como Portugal, é obrigada também a ser caixa do Minipreço da Brandoa e copista num estabelecimento de diversão nocturna em Monte Abraão. Mas Sónia é uma lutadora. No ringue e na vida. Tudo começou na escola, quando Sónia aprendeu a defender-se dos ataques dos seus colegas invejosos do seu fato-de-treino cor de rosa da Hello Kitty comprado na Feira do Relógio pela madrinha, ou mortificados pelo cheiro a naftalina da roupa de Sónia.

Ela aprendeu cedo que a vida é difícil e pouco depois de terminar o nono ano já estava na labuta. A mãe arranjou-lhe um emprego numa loja do LiDL em Algueirão, mas foi numa loja do Minipreço na Brandoa que a conheci. Sónia contou-me sobre a sua paixão pelo boxe, os sacrifícios que fazia, esta sua dedicação sempre ocultada à família, o título no Campeonato de Boxe de Ramada, a ambição na conquista do Campeonato de Boxe de Caneças...

Sónia personifica todas jovens que lutam pelos seus sonhos. Sónia sonhou ser cabeleireira e abrir um Salão em Odivelas. Mas a vida é madrasta e a única coisa que Sónia garante é que o título de campeã em Caneças será seu, mesmo que o combate contra Cidália Patrícia lhe custe mais 2 incisivos. "A vida é para ser conquistada", isto disse-me Sónia ao passar dois pacotes de bolachas Maria ao mesmo tempo que me devolvia o meu cartão do Minipreço.

Terça-feira, 29 de Março de 2011

Um jantar de gala

Camilla e Maria não são velhas amigas apenas porque não calhou. Tivesse Camilla um terceiro andar na Travessa do Possolo e ambas seriam unha com carne. Maria trocaria de bom grado as receitas de souflé de peixe e de rissóis de camarão pelas deliciosas apple pies de Camilla. Ambas sabem o que é a vida de casada, ambas prestam o maior apoio aos seus maridos. Maria certifica-se que o marido não diz disparates a mais, Camilla zela por que Carlos não se torne ainda mais ridículo. Camilla nunca será rainha da mesma maneira que Maria nunca será uma primeira dama. Na realidade, Maria e o marido são um casal de velhotes a puxar para o antipático que aparece muitas vezes na televisão em Feiras de Enchidos, Jantares de Sem Abrigo e Inaugurações de Centros do Desconhecido. Maria e o marido são inseparáveis. Tanto que ela adquiriu a alcunha carinhosa de "Cavaca". Camilla e Carlos também são inseparáveis. Nem o casamento - o casamento de Camilla com outro homem e o de Carlos com outra mulher, sublinhe-se - os conseguiu separar. Camilla é a esperança de todos os mortais. Neste conto de fadas foi a princesa que morreu e a bruxa que ficou com o príncipe. A Costureira adora finais felizes. Camilla também. E Maria nem se fala. O vestido de Camilla foi comprado em Londres e o de Maria foi feito com uns cortinados antigos. Elas sabem estar sempre impecáveis. Este país ainda é para velhos.

Domingo, 13 de Março de 2011

Suzanne

Suzanne Pujol é talvez a figura a partir da qual A Costureira da Brandoa começou a nascer. Sim, A Costureira da Brandoa não nasceu num restaurante do Bairro Alto, durante um jantar de amigos, e muito menos num almoço na Praia do Meco, com dourada escalada acompanhada de batatinhas assadas. A Costureira da Brandoa começou a nascer em Suzanne Pujol e no seu fato-de-treino vermelho. E ficou assim, em banho-maria, meses a fio.

E depois, claro, há o dia D, o dia em que o fato-de-treino de Suzanne vem de novo à memória. Foi numa esplanada do Estoril (um local suburbano muito ao jeito da Costureira) que durante um café matinal surgiu, ao folhear um jornal gratuito, uma coluna de moda. A Costureira é suburbana a valer e ficou roxa com tanta injustiça: "nem toda a gente fashionable aparece aqui nestas bodegas", pensou a Costureira com os seus botões (por ela obviamente cosidos). E no dia seguinte, foi na Praça Camões que a ideia de colmatar esta falha foi ultimada. Faltava um nome, contudo. Modista? Costureira? A Brandoa bateu Massamá aos pontos. E no dia 9 de Março de 2011 nasce A Costureira da Brandoa. E que fulgurante é este blogue, com actualizações diárias!

Esta é a homenagem da Costureira a Suzanne Pujol, ao seu fato-de-treino vermelho, e a toda a moda dos subúrbios que finalmente tem um palco para ser mostrada.

Sábado, 12 de Março de 2011

A preto e branco

O preto e branco nunca passa de moda e Adílio sabe-o muito bem. Veste-se de negro por tradição, muito antes de os grandes costureiros imporem a cor como a nova tendência da década. Adílio é um vanguardista no vestir. O penteado e o bigode são a sua imagem de marca: a sua tez morena realça a brancura de Neoblanc de um bigode de 40 anos.

Adílio já não faz feiras como antigamente. "Cansei-me disso", conta fitando o Douro. Agora dá apenas uma mãozinha a quem precisa. Sempre prezou a família acima de tudo: Cátia Vanessa será a sua nona neta. Por vezes gosta de recordar os tempos de feirante, a correria que era todos os dias, Matosinhos, Maia, Gondomar, Valongo, Vila Nova de Gaia... Feiras e mais feiras!! Tantas saudades!! Mas Adílio deu lugar à novas. A sua filha Carmelinda tem olho para aquilo e isso admite o pai orgulhoso dos ensinamentos que lhe deu.

Adílio olha uma vez mais o Douro. O negro do traje é invejado por todos os que comem gelados na Ribeira. O bigode de Adílio é invejado por muitos mais. Até Clark Gable ficaria corado ao lado de Adílio: um bigode de 40 anos impõe muito respeito!

Sexta-feira, 11 de Março de 2011

O gelado do meu Verão


Há dias de sorte e A Costureira da Brandoa não pode queixar-se! A moda entra-nos pelos olhos adentro todos os dias, cruza o nosso caminho a todo o momento e é impossível resistir à tentação de uma fotografia!

Enquanto fumava um cigarro no centro de Munique - a costureira é suburbana, mas está sempre onde tudo acontece - surge Nina a comer um gelado e a encostar-se docemente à Fonte do Peixe. Nina "a encostar-se docemente", isso mesmo, porque Nina tem movimentos majestosos de princesa. Como podem ver, Nina é a princesa pela qual a Baviera, a Alemanha, a Europa inteira anseiam.

Nina tem uma presença que se sente. Não é apenas o casaco violeta roubado a uma tia hippie, a saia a condizer comprada numa viagem à Roménia, a écharpe encarnada, a carteira rosa, as peúgas verdes florescentes oferecidas por um sobrinho no Natal, os óculos très à la mode comprados numa loja chinesa... É muito mais do que a perfeição imbeliscável de um guarda roupa. Nina lambe o seu gelado com a calma de quem já cá anda há muitos anos. Muda de posição para poder apanhar mais sol. As meias devem ver-se da Lua. Nina vê-se à légua. Marienplatz inteira rói-se de inveja. Ninguém tem a candura de Nina, nem o seu bom gosto para sair à rua. O penteado foi feito no cabeleireiro turco de sempre, em Sendlinger Tor. Oito euros: preço de amigo. A cabeleireira de Nina não é turca como os patrões: é um transexual amigo de longa data. Nina mantém-se fiel à sua amiga do peito. Viveram muita coisa juntas.

O gelado está no fim. Nina põe-se a caminho. A caminho de onde? Ninguém sabe. Nina caminha decidida em direcção a Odeonsplatz. As cabeças voltam-se uma a uma. Nina esmaga todos ao passar. Durou apenas o tempo de terminar o seu gelado, mas ninguém fica o mesmo depois de ver Nina a encostar-se docemente contra a Fonte do Peixe.